Ashwagandha Reduz Cortisol e Aumenta Testosterona? O Que Diz a Ciência
Ashwagandha: Reduz Cortisol e Aumenta Testosterona (Guia Completo 2025)
Muitas pessoas enfrentam diariamente estresse elevado, baixa energia e queda da libido, e a Ashwagandha aparece como a resposta mais citada. Esta página reúne o que a evidência realmente mostra sobre ela, incluindo o que os estudos não sustentam e os riscos que raramente são mencionados.
Este guia completo apresenta tudo o que você precisa saber sobre esta planta milenar, com base nas evidências científicas mais recentes de 2024 e 2025.
O que é Ashwagandha: Definição e Origem
A Ashwagandha (Withania somnifera) é uma planta medicinal da família das solanáceas, conhecida por diversos nomes populares:
- Ginseng indiano
- Cereja de inverno
- Buva indiana
- Withania
O termo “Ashwagandha” vem do sânscrito e significa literalmente “cheiro de cavalo”, em referência ao odor da raiz e à crença de que ela confere vigor.

História e Tradição Milenar
Por mais de 3.000 anos, a medicina ayurvédica utiliza a Ashwagandha como um rasayana, um tônico rejuvenescedor tradicionalmente indicado para:
- Aumentar a vitalidade
- Melhorar a resistência física
- Combater o envelhecimento precoce
- Fortalecer o sistema imunológico
Como a Ashwagandha Funciona: Mecanismo de Ação Científico
O Conceito de Adaptógeno
A Ashwagandha é um adaptógeno: uma substância natural que ajuda o corpo a lidar com o estresse, normalizando funções fisiológicas desequilibradas.
Modulação do Eixo HPA
Seu principal mecanismo é a modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), que regula o estresse. A Ashwagandha reduz a liberação de CRH, levando a menor produção de cortisol.
Compostos Bioativos Responsáveis
Os benefícios são atribuídos aos withanolídeos, compostos esteroidais naturais. Os principais incluem:
- Withanoside IV e VI
- Withaferina A
- Withanolida D

Benefícios da Ashwagandha Comprovados pela Ciência
1. Redução do Cortisol
Um ensaio de 2012 com 61 adultos sob estresse, usando 600mg por dia de extrato KSM-66 durante 60 dias, observou redução de 27,9% no cortisol sérico contra 7,9% do placebo. É o achado com evidência mais consistente.
2. Aumento da Testosterona
Um ensaio de 2019 com homens de 40 a 70 anos, acima do peso e com queixa de fadiga, usando o extrato Shoden por 8 semanas, observou testosterona salivar 14,7% maior que a do placebo. Três ressalvas importantes: a amostra é pequena, o efeito desapareceu após a suspensão, e o mesmo estudo não encontrou melhora de fadiga, vigor ou bem-estar sexual em relação ao placebo. A evidência aqui é preliminar.
3. Melhora da Performance Física
Um ensaio de 2015 com 50 homens jovens destreinados, usando 300mg duas vezes ao dia por 8 semanas junto de treino de força, observou ganho de 46,0 kg no supino contra 26,4 kg do placebo, além de maior aumento de circunferência de braço e tórax e maior redução de percentual de gordura. Os autores ressalvam que a amostra é pequena, jovem e destreinada, e que os achados não podem ser generalizados.

Comparação com Outros Suplementos
| Aspecto | Ashwagandha | Rhodiola Rosea |
|---|---|---|
| Redução do cortisol | ✅ Forte evidência | ⚠️ Evidência moderada |
| Aumento de testosterona | ⚠️ Evidência preliminar | ❌ Sem evidência |
| Melhora da força | ⚠️ Um ensaio positivo | ⚠️ Evidência limitada |
FAQ – Perguntas Frequentes sobre Ashwagandha
Quanto tempo leva para fazer efeito?
Em média, os primeiros efeitos aparecem entre 2 e 4 semanas, mas o uso por 8 a 12 semanas oferece melhores resultados.
Posso tomar com outros suplementos?
Combinações com vitamina D, zinco e magnésio não apresentam problema conhecido. A atenção é com medicamentos, não com suplementos: sedativos, hormônio tireoidiano, imunossupressores, antidiabéticos e anti-hipertensivos. Informe seu médico sobre tudo que você usa.
É seguro usar a longo prazo?
Os ensaios clínicos vão até cerca de 6 meses e não registraram eventos graves. Fora deles, há relatos de lesão hepática associada ao uso. Uso prolongado pede acompanhamento médico e atenção a sinais de alteração no fígado.
Mulheres podem usar Ashwagandha?
Sim, mas as dosagens devem ser ajustadas e há contraindicações durante a gravidez e amamentação.
Ashwagandha causa dependência?
Não há relato de dependência física ou psicológica. Isso não a torna isenta de risco: os efeitos adversos relevantes são hepáticos e hormonais, descritos acima.
Riscos e Contraindicações
Riscos e Contraindicações
A Ashwagandha é vendida sem receita, e isso passa a impressão de que não tem risco. Tem, e a literatura recente é clara sobre isso.
Fígado
Uma série de casos publicada no Liver International em 2020 descreveu cinco pacientes com lesão hepática atribuída ao uso de ashwagandha, identificados na Islândia e na rede norte-americana de vigilância de lesão hepática por medicamentos. Todos apresentaram icterícia, com quadro surgindo entre 2 e 12 semanas após o início do uso. As doses envolvidas variaram de 450 a 1350 mg por dia — a mesma faixa usada nos estudos de eficácia.
Nenhum dos pacientes evoluiu para insuficiência hepática, e a função do fígado normalizou entre 1 e 5 meses após a suspensão. Ainda assim, o alerta é real.
Sinais que exigem suspensão imediata e avaliação médica: pele ou olhos amarelados, urina escura, coceira generalizada, náusea persistente e desconforto no lado direito superior do abdome.
Tireoide
A ashwagandha pode elevar os hormônios tireoidianos. Quem tem hipertireoidismo, nódulo em investigação ou usa levotiroxina precisa de acompanhamento antes e durante o uso.
Interações medicamentosas
Pode potencializar o efeito de sedativos e benzodiazepínicos, interferir em imunossupressores e somar efeito a medicamentos para diabetes e para pressão alta, aumentando o risco de hipoglicemia e de hipotensão.
Contraindicações
Gestação, amamentação, doenças autoimunes em atividade e alergia a plantas da família das solanáceas. Pelo efeito sedativo, o uso deve ser suspenso com antecedência antes de qualquer cirurgia.
O que isso significa na prática
Nada disso torna a ashwagandha perigosa para a maioria das pessoas. Significa que ela se comporta como um medicamento de origem vegetal, não como um alimento, e merece a mesma cautela: indicação avaliada, dose definida e acompanhamento. Se você usa qualquer medicação contínua, converse com seu médico antes de começar.
Sobre o Autor
Dr. Thiago Tagliari — Urologista, CRM-SP 152167 | RQE 72006. Formado em 2011, com mais de 15 anos de medicina. Proctor em HoLEP e BipolEP. Doutorando pela USP-FMRP. Membro da SBU, AUA e EAU. Atende em Catanduva, SP.
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Disclaimer: Este artigo tem fins educativos e não substitui consulta médica. Sempre consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação.
