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Varicocele — Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
Saúde Sexual Masculina

Varicocele — Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento



Dr. Thiago Tagliari
CRM-SP 152167 | RQE 72006 — Urologista especialista em saúde sexual masculina e cirurgia minimamente invasiva

Última atualização: abril de 2026


Ilustração médica anatômica da varicocele — veias dilatadas no escroto

Varicocele: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

A varicocele é uma das condições urológicas mais comuns em homens jovens — e também uma das mais subdiagnosticadas. Ela atinge cerca de 15% da população masculina geral e até 40% dos homens com infertilidade. Apesar de muitas vezes silenciosa, pode comprometer a fertilidade, causar dor e afetar o tamanho do testículo. Entenda o que é, como reconhecer e quais são as opções modernas de tratamento.

O que é varicocele?

A varicocele é a dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme — o conjunto de pequenas veias que drenam o sangue dos testículos. É, em essência, uma “variz” no escroto, semelhante às varizes que aparecem nas pernas.

Essa condição é encontrada em cerca de 15% dos homens em geral, mas chega a 35% a 40% dos homens com infertilidade primária e até 80% dos homens com infertilidade secundária, segundo dados consolidados pelas diretrizes da AUA (Associação Americana de Urologia) e da EAU (Associação Europeia de Urologia).

Em mais de 85% dos casos, a varicocele aparece no lado esquerdo do escroto. Isso acontece por uma particularidade anatômica: a veia gonadal esquerda desemboca em ângulo reto na veia renal esquerda, gerando maior pressão hidrostática.

Importante: nem toda varicocele precisa de tratamento. A decisão depende de fatores como a presença de sintomas, alterações no espermograma, atrofia testicular e desejo de paternidade.

Quais são as causas da varicocele?

A varicocele se desenvolve quando as válvulas das veias do cordão espermático falham, permitindo que o sangue reflua e se acumule. Esse acúmulo causa a dilatação venosa progressiva.

Principais fatores envolvidos

  • Predisposição anatômica: a anatomia da veia gonadal esquerda favorece o aparecimento.
  • Insuficiência valvular venosa: as válvulas que deveriam impedir o refluxo de sangue não funcionam adequadamente.
  • Aumento da pressão abdominal: esforço físico intenso e ortostatismo prolongado podem contribuir.
  • Fatores genéticos: homens com histórico familiar têm maior chance de desenvolver a condição.

Em casos raros, a varicocele isolada à direita ou de aparecimento súbito após os 40 anos pode indicar causas secundárias — como compressão venosa por tumores retroperitoneais. Esses casos exigem investigação por imagem.

Quais são os sintomas da varicocele?

A varicocele costuma ser silenciosa na maioria dos pacientes. Quando há sintomas, os mais comuns são:

  • Dor ou desconforto escrotal: sensação de peso, queimação ou pontada, geralmente do lado esquerdo.
  • Piora dos sintomas ao final do dia: a dor tende a aumentar após permanecer muito tempo de pé ou após esforço físico.
  • Alívio ao deitar: a posição horizontal reduz a pressão venosa e melhora o sintoma.
  • Aspecto de “saco de minhocas”: em casos avançados, é possível ver ou palpar as veias dilatadas no escroto.
  • Atrofia testicular: redução do tamanho do testículo afetado, sinal de comprometimento funcional.
  • Dificuldade para engravidar: em muitos casos, a infertilidade é o primeiro sinal que leva ao diagnóstico.

[LINK INTERNO: Dor testicular — quando é motivo de preocupação?]

Consequências da varicocele

A varicocele pode causar três principais consequências clínicas:

1. Infertilidade masculina

É a complicação mais relevante. O acúmulo de sangue venoso no escroto eleva a temperatura testicular, prejudicando a produção e a qualidade dos espermatozoides. Estudos mostram aumento da fragmentação do DNA espermático e redução da motilidade e concentração.

2. Atrofia testicular

O testículo afetado pode ficar menor com o tempo. Em adolescentes, isso é particularmente preocupante e indica intervenção precoce.

3. Dor crônica

Cerca de 10% dos pacientes apresentam dor escrotal persistente que afeta a qualidade de vida.


Anatomia comparativa do escroto saudável e com varicocele

[IMAGEM 2: infográfico comparando o testículo normal e o testículo com varicocele, com setas indicando o refluxo venoso e o aumento da temperatura]

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da varicocele combina exame clínico e exames complementares.

Exame físico

É o primeiro passo. O urologista examina o escroto com o paciente em pé, em ambiente aquecido, e pede que ele realize a manobra de Valsalva (esforço abdominal). Conforme a graduação clínica:

Grau Característica
Subclínica Não palpável nem visível, detectada apenas por ultrassom
Grau I Palpável apenas durante a manobra de Valsalva
Grau II Palpável em repouso
Grau III Visível e palpável a olho nu

Ultrassom com Doppler escrotal

É o exame de imagem padrão. Confirma o diagnóstico, mede o calibre das veias e demonstra o refluxo venoso. Considera-se varicocele significativa quando há veias com diâmetro maior que 3 mm e refluxo durante a manobra de Valsalva.

Espermograma

Para pacientes que buscam paternidade, o espermograma é fundamental. Avalia concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides e ajuda a indicar tratamento.

Diretrizes AUA/ASRM 2024: recomendam considerar a correção cirúrgica em homens que tentam conceber, com varicocele palpável e alterações no espermograma — desde que não haja azoospermia.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento depende do impacto clínico da varicocele. Nem todos os casos exigem cirurgia.

Quando o tratamento é indicado?

  • Varicocele palpável com alterações no espermograma em homens tentando engravidar
  • Dor escrotal crônica não responsiva a medidas conservadoras
  • Atrofia testicular em adolescentes
  • Hipogonadismo (baixa testosterona) associado à varicocele

Tratamento conservador

Para varicoceles assintomáticas e sem repercussão na fertilidade, a conduta é apenas observação clínica. Anti-inflamatórios podem ser usados em crises de dor. Uso de suspensório escrotal pode aliviar sintomas.

Cirurgia (varicocelectomia)

É o tratamento padrão-ouro. As principais técnicas são:

Técnica Características
Microcirúrgica subinguinal Padrão-ouro atual. Menor taxa de recidiva e complicações. Realizada com microscópio cirúrgico.
Inguinal (Ivanissevich) Técnica clássica, ainda utilizada. Acesso pelo canal inguinal.
Retroperitoneal (Palomo) Acesso alto. Maior risco de hidrocele pós-operatória.
Laparoscópica Menos usada hoje. Tem indicações específicas, como varicocele bilateral.

Embolização percutânea

Procedimento minimamente invasivo realizado por radiologista intervencionista. Por meio de um cateter, é feita a oclusão da veia gonadal afetada. Boa opção em casos de recidiva ou para pacientes que querem evitar cirurgia.


Ilustração da cirurgia microcirúrgica para varicocele

[IMAGEM 3: ilustração da varicocelectomia microcirúrgica subinguinal, mostrando o microscópio e a ligadura das veias dilatadas]

[LINK INTERNO: Espermograma — como entender o resultado do exame]

Como é a recuperação?

A varicocelectomia microcirúrgica é geralmente ambulatorial ou com internação de poucas horas. A recuperação é rápida e bem tolerada na maioria dos pacientes.

O que esperar nos primeiros dias

  • Dor leve a moderada: controlada com analgésicos comuns.
  • Edema escrotal discreto: melhora com gelo local e suspensório.
  • Retorno às atividades leves: 2 a 5 dias após a cirurgia.
  • Atividade física e relação sexual: liberadas após 2 a 4 semanas.
  • Avaliação dos espermograma: melhora dos parâmetros é esperada após 3 a 6 meses.
Resultado esperado: uma meta-análise publicada no World Journal of Men’s Health (2023) demonstrou que a correção da varicocele melhora significativamente a concentração, motilidade e morfologia espermática em homens inférteis.

Quais são os riscos e complicações?

A varicocelectomia é um procedimento seguro, mas — como toda cirurgia — apresenta riscos. Os mais relevantes são:

  • Hidrocele (acúmulo de líquido ao redor do testículo): ocorre em até 7% dos casos com técnicas tradicionais. Bem mais raro na microcirurgia.
  • Recidiva da varicocele: 1% a 2% com técnica microcirúrgica; até 15% com técnicas mais antigas.
  • Atrofia testicular: rara, ocorre se a artéria testicular for inadvertidamente lesada.
  • Hematoma escrotal: incomum, autolimitado.
  • Infecção da ferida operatória: rara, prevenida com cuidados pós-operatórios adequados.
Atenção: a escolha do urologista experiente em técnica microcirúrgica reduz significativamente as taxas de complicação. Pergunte ao seu cirurgião quantas varicocelectomias ele realiza por ano e qual técnica utiliza.

Perguntas frequentes

Quais são as consequências da varicocele se não for tratada?
+
As principais consequências são infertilidade (alteração na qualidade do esperma), atrofia progressiva do testículo afetado, dor escrotal crônica e, em alguns casos, redução da produção de testosterona. Nem toda varicocele evolui com complicações, mas o acompanhamento urológico é essencial para identificar quem precisa de intervenção.
Pode-se viver com varicocele sem fazer cirurgia?
+
Sim. Muitos homens convivem com varicocele a vida toda sem necessidade de tratamento, especialmente quando ela é assintomática, não afeta a fertilidade e não causa atrofia testicular. A cirurgia é indicada apenas em casos específicos. O acompanhamento periódico com ultrassom e espermograma é recomendado.
Quanto tempo leva para curar a varicocele?
+
A varicocele não regride espontaneamente — o tratamento definitivo é cirúrgico ou por embolização. Após o procedimento, a recuperação completa leva de 2 a 4 semanas. A melhora dos parâmetros do espermograma costuma ocorrer entre 3 e 6 meses após a cirurgia, conforme demonstrado em meta-análises recentes.
Quais são os medicamentos para varicocele?
+
Não existe medicamento que trate a varicocele propriamente dita — a dilatação venosa só é resolvida com cirurgia ou embolização. Anti-inflamatórios podem ser usados para alívio temporário da dor. Antioxidantes orais (como L-carnitina, coenzima Q10 e vitamina E) podem ser prescritos como adjuvantes em casos de infertilidade, mas não substituem o tratamento cirúrgico quando indicado.
Como fica o testículo após a cirurgia de varicocele?
+
Após a cirurgia, o testículo tende a recuperar volume, especialmente em adolescentes e jovens. O fluxo venoso normaliza, a temperatura escrotal cai e a função testicular melhora gradualmente. Em poucos dias, o desconforto desaparece. A textura e a sensibilidade do testículo permanecem normais. Em raros casos, pode ocorrer hidrocele (acúmulo de líquido), tratada conforme o caso.

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Referências bibliográficas
  1. Brannigan RE, Hermanson L, Kaczmarek J, et al. Updates to Male Infertility: AUA/ASRM Guideline (2024). Journal of Urology, 2024; 212:789–799.
  2. Salonia A, Bettocchi C, Capogrosso P, et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. European Association of Urology, 2024.
  3. Agarwal A, Cannarella R, Saleh R, et al. Impact of Varicocele Repair on Semen Parameters in Infertile Men: a Systematic Review and Meta-Analysis. World J Mens Health, 2023; 41:289–310.
  4. Baazeem A, Belzile E, Ciampi A, et al. Varicocele and Male Factor Infertility Treatment: a New Meta-Analysis and Review of the Role of Varicocele Repair. European Urology, 2011; 60:796–808.
  5. Jeremias JT, Belardin LB, Okada FK, et al. Oxidative Origin of Sperm DNA Fragmentation in the Adult Varicocele. International Brazilian Journal of Urology, 2021; 47:275–283.

Este conteúdo é informativo e educacional. Não substitui a avaliação médica individualizada. Consulte sempre um urologista qualificado para diagnóstico e tratamento. Dr. Thiago Tagliari — CRM-SP 152167 | RQE 72006 — Catanduva, SP.

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